À data e hora da redação desta nota, o Sr. Primeiro Ministro acaba de executar a frio 2 anos de esperanças e sonhos.
Começou sério e acabou sisudo. Combinou bem com o seu discurso. Disfarçado com o seu descontentamento, de ter que anunciar estas notícias, incontornáveis, assegurou, lá foi soltando notas da sua ópera que apesar de cantada com pesar e emoção contida não é mais que uma verdadeira tragédia.
Com o corte acentuado do rendimento aos funcionários públicos e pensionistas condenou o Comércio. Com a falta de precisão no verdadeiro alcance das alterações do escalonamento do IVA ameaçou a Hotelaria e a Restauração. De uma só vez agoirou milhares de empresas e empresários, dezenas de milhares de postos de trabalho e o nosso modo de vida quotidiano. Para nos salvar diz que fará tudo o que for preciso... sacrificar todos inclusive.
Este verdadeiro pacote de medidas de brutalidade eleva acima de qualquer limiar de dor a certeza das dificuldades acumuladas que agora se apresentam, claro está, inevitavelmente colossais.
Bagão Felix tem razão. "A inevitabilidade é um argumento incompetente". Fica mal falar dela e no mesmo discurso honrar as virtudes da inteligência, do trabalho e da criatividade. Excepção feita se dissermos que a falta de inteligência e de trabalho e de criatividade nos obriga ao uso dessa mesma inevitabilidade.
Nós, comerciantes e industriais, devemos uma lição ao Sr. Primeiro Ministro. Nós temos o dever, neste momento de emergência nacional e ajustamento profundo, de dar sentido aos sacrifícios que nos exigem. Temos o dever de emergir no momento em que nos afogam. Temos o dever de melhorar quando nos servem do pior. Temos a obrigação de não esmorecer, mesmo quando maltrapilhos em sarjas de algodão sabemos que eles nos olham vestidos de seda.
Estes "mares nunca antes navegados" pedem de nós mais e melhor trabalho, mais inteligência e ponderação, muita criatividade, corte absoluto com o desperdício, motivação e capacidade de aprendizagem para mais formação, a preocupação com os pormenores e um exercício do trabalho de forma zelosa e profissional.
Temos muito que melhorar e muita margem de progressão. Falem connosco. Precisamos organizar soluções. Precisamos do vosso contributo, da vossa perspectiva. Precisamos todos uns dos outros.
Queremos aqui dar especial atenção aos nossos associados e colegas da indústria da Restauração. O sector da Restauração é volumoso e pulverizado o que lhe confere uma importância vital até para o desenvolvimento dos outros negócios. É sabido que a Restauração - e similares - actuam como âncoras que atraem consumidores para o Comércio. Uma ameaça à Restauração é também uma ameaça ao Comércio. Ninguém está sozinho.
Devemos exercer desde já o nosso Direito à indignação e pressionar o impedimento dessa medida. É crucial que se faça sentir que mesmo que nos obriguem a engoli-la, nós não a queremos, não gostamos dela, e vamos vomitá-la quando e onde pudermos. Devemos lembrar aqui que para além das já referidas existem mais dois grupos de consequências reais desta eventual subida.Enquanto fechamos esta edição a dúvida paira sobre a subida do IVA. Ao Sr. Primeiro Ministro dizemos desde já "Nem Pensar!", "Esqueça lá isso!", "Faz ideia do que está a fazer?!".
Primeiro e imediato a subida do custo do trabalho ou a deterioração das condições de saúde dependentes da nutrição. A esmagadora maioria dos trabalhadores não almoça em casa, nem tem acesso a refeitórios. Ou vão pagar mais ou vão comer pior.
Segundo, e ainda mais pernicioso, a consequência natural do instinto de sobrevivência do industrial da Restauração. Ao sentir o cliente recuar no consumo dos produtos em que o impacto emocional do IVA é mais intenso, irá promover a venda daqueles produtos onde esse choque não será sentido por já serem taxados à taxa normal : álcool, pastelaria, doces e aperitivos embalados. Menos alimento, mais "veneno" ingerido.
Deixem aqui os vossos comentários e reacções a esta (eventual) medida. Usem a nossa Caixa das Sugestões para proporem formas de contestação. Apresentem ideias que impeçam este erro colossal.