Apesar do enorme potencial das últimas gerações tudo o que conseguimos foi engordar uns poucos e emagrecer todos os outros até chegarmos à situação aflitiva em que nos vemos hoje. Como pudemos ignorar que ao incentivar a não produção enquanto se excitava o consumo chegaríamos tão fundo no nosso deficit de transações correntes e consequentemente ao fundo da nossa liquidez? Como conseguimos esperar que comprando quase tudo fora, esse dinheiro que usámos pudesse ficar cá dentro? Cada um de nós olhou apenas para o seu umbigo.
Num mercado interno tão pequeno, e tão regulamentado como o nosso, é difícil criar negócios que sejam competitivos num palco mundial. Apesar de saberem isso, os nossos governantes mantêm escancaradas - e sem ónus relevante - as portas de entrada aos bens que provêm de economias com condições laborais degradantes, ambientes legais e fiscais que quase não oneram as suas produções e com escalas que pulverizam qualquer tentativa de concorrência pelo preço. Pode argumentar-se que Portugal deve concorrer com qualidade e valor, mas nestas alturas somos todos sensíveis ao custo.
Em nome de quê e de quem são mantidas essas portas? Acordos internacionais, dizem... Chega! Nós dizemos que não há acordos Passados nem compromissos Futuros que possam ser mantidos se sabemos que vão provocar a miséria generalizada da população e a destruição sistemática dos nossos sistemas produtivos. Se qualquer um de nós fosse Presidente, Ministro ou Deputado da República, sentir-se-ia extremamente envergonhado, excepto se estivesse a actuar em proveito próprio, e mesmo assim...
Estamos sem dinheiro e sem músculo. Resta-nos usar o cérebro enquanto queimamos lentamente toda a gordura que acumulámos.
Como consumidores, precisamos tomar duas atitudes fundamentais para ajudar o nosso país a recuperar:
1 - corte absoluto e sistemático no desperdício;
2 - classificar como premium os bens e serviços oriundos das nossas comunidades.
Cada um de nós tem agora o Dever, de poupar no que vem de longe para poder gastar mais com os que estão perto; de cortar acentuada e continuamente no desperdício em energia, bens, serviços e demais bugigangas importadas; de perceber e aceitar o facto que pagar um pouco mais pelo que vem de perto, é investir agora para poder ganhar depois; de defender activamente que os produtos e serviços feitos por cá trazem mais benefícios - mais liquidez, mais emprego e menos dependência - valem por isso muito mais, são por isso um pouco mais caros.
Não há outra via. A procura interna tem que aumentar. A nossa dependência externa precisa diminuir. Com ou sem Leis para nos ajudar.
Vamos dar mais valor a todos os bens e serviços que são feitos cá na Agricultura, no Artesanato, na Gastronomia, no Turismo, na Indústria, no Comércio e nos Serviços. Vamos dar-lhes mais valor, mas vamos exigir que os façam bem.
Deixamos aqui uma mensagem para cada leitor. Se conseguir prever que a maior parte do dinheiro que paga pelo que compra vai sair da sua comunidade, tendo alternativas locais, não compre. Sem alternativas, compre o mínimo estritamente necessário. Detenha essa tendência de comprar o que vem de fora. Se prefere pagar mais, ou até menos, pelo que é produzido fora, não se queixe com a situação em que estamos. Por favor não chore. Também tem culpa no cartório! Se por outro lado já dá preferência aos produtos e serviços feitos em Portugal, os nossos parabéns! É um herói! Merece uma estátua sua nos Paços do Concelho.